Segundo a edição de 2026 do Global Disputes Forecast, conduzido pela Baker McKenzie, 86% dos líderes jurídicos corporativos brasileiros apontam riscos ligados à tecnologia e dados como fator relevante para o aumento de disputas legais, acima da média global de 80%. O estudo ouviu 600 líderes jurídicos no mundo, incluindo 100 no Brasil, e mostra com clareza que IA, cibersegurança, privacidade e regulação digital passaram definitivamente para a agenda prioritária da alta gestão.
Em paralelo, o próprio ambiente regulatório brasileiro reforça essa mudança. A ANPD publicou o Mapa de Temas Prioritários para fiscalização em 2026–2027 e atualizou a Agenda Regulatória 2025–2026, mantendo entre os focos temas como direitos dos titulares, dados biométricos, inteligência artificial e tecnologias emergentes no contexto do tratamento de dados pessoais. Isso sinaliza aumento de escrutínio regulatório, maior previsibilidade de fiscalização e exigência crescente de governança sobre dados e decisões automatizadas.
O novo cenário: risco jurídico, risco operacional e risco reputacional no mesmo pacote
Durante muitos anos, a tecnologia foi tratada majoritariamente como vetor de produtividade, escala e inovação. Esse papel continua válido, mas tornou-se incompleto. Hoje, a mesma infraestrutura digital que acelera vendas, operações, atendimento e análise de dados também amplia a superfície de exposição da empresa.
Quando uma organização adota IA sem critérios claros de governança, mantém dados críticos dispersos, opera com controles frágeis de acesso ou não consegue demonstrar conformidade sobre o ciclo de vida das informações, o risco deixa de ser apenas técnico. Ele passa a afetar contratos, auditorias, investigações, reputação, continuidade operacional e, em casos mais graves, o próprio valor do negócio. Essa leitura está em linha com a análise da Baker McKenzie para 2026, que destaca o cruzamento entre tecnologia, regulação, geopolítica e fluxos transfronteiriços de dados como um dos principais vetores de disputa corporativa.
IA sem governança é passivo, não vantagem competitiva
A aceleração da inteligência artificial no ambiente corporativo ampliou o potencial de ganho de eficiência, mas também elevou o risco de uso inadequado de dados, decisões automatizadas sem transparência, exposição de informações sensíveis e falhas de conformidade.
O problema central não está em usar IA. Está em usar IA sem arquitetura, política, rastreabilidade e controle. O Fórum Econômico Mundial apontou que 66% das organizações esperam que a IA tenha o maior impacto na cibersegurança, mas apenas 37% afirmam ter processos para avaliar a segurança das ferramentas de IA antes da implantação. Em outras palavras: a adoção avança mais rápido do que a governança.
Para as empresas, isso exige uma mudança objetiva de postura: IA não pode entrar na organização apenas como experimento isolado de áreas de negócio. Ela precisa operar dentro de um modelo corporativo de segurança, conformidade, classificação da informação, gestão de acesso e monitoramento contínuo.
Cibersegurança deixou de ser pauta exclusiva de TI
Outro ponto central do cenário atual é que incidentes cibernéticos já não podem ser tratados apenas como problema da área técnica. O impacto financeiro e institucional é material. Segundo a IBM, o custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,19 milhões em 2025, com pressão maior sobre setores intensivos em informação e operação crítica.
Esse dado ajuda a explicar por que cibersegurança, privacidade e tecnologia aparecem no topo das preocupações jurídicas e corporativas. O incidente não se resume mais a indisponibilidade de sistema. Ele pode gerar quebra contratual, investigação regulatória, dano reputacional, judicialização, paralisação operacional e perda de confiança de clientes e parceiros.
Por isso, a agenda de proteção digital precisa ser tratada como agenda de negócio. Conselho, diretoria, jurídico, compliance, segurança, tecnologia e áreas operacionais precisam atuar de forma integrada.
O desafio brasileiro é ainda maior
No Brasil, o tema ganha peso adicional por três razões.
A primeira é a velocidade da digitalização das operações, inclusive em empresas tradicionais, que passaram a depender mais intensamente de ecossistemas conectados, cloud, automação, analytics e IA. O próprio Global Disputes Forecast mostra que, no país, a percepção de risco em tecnologia e dados é superior à média global.
A segunda é o avanço da fiscalização e da normatização em proteção de dados. A atualização da agenda da ANPD confirma que inteligência artificial e tecnologias emergentes já estão no radar regulatório, ao lado de direitos dos titulares, biometria e tratamento de dados pelo poder público.
A terceira é o contexto mais amplo de complexidade empresarial. O mesmo estudo aponta que 77% dos líderes jurídicos brasileiros veem geopolítica e política comercial como ameaças relevantes, e destaca também a persistência das disputas tributárias em um ambiente de maior coordenação entre fiscos e adaptação à reforma tributária. Isso significa que o risco digital não está isolado: ele se combina com cadeias globais, contratos, compliance, tributação e reputação.
O que as empresas precisam fazer agora
Diante desse cenário, a resposta corporativa não deve ser reativa. Deve ser estrutural. Na prática, isso significa avançar em cinco frentes:
1. Governança de dados
Mapear dados críticos, definir regras de tratamento, retenção, acesso, compartilhamento e descarte, com responsabilização clara entre áreas.
2. Segurança por arquitetura
duzir exposição com controles de identidade, segregação de acesso, monitoramento, resposta a incidentes e proteção de ambientes, aplicações e integrações.
3. IA com política e rastreabilidade
Estabelecer diretrizes para uso de IA, critérios para consumo de dados, validação de modelos, revisão humana quando aplicável e registro das decisões automatizadas.
4. Conformidade contínua
Tratar LGPD, contratos, requisitos regulatórios e evidências de conformidade como rotina operacional, não como ação pontual.
5. Visão executiva de risco
Traduzir risco técnico em impacto de negócio: financeiro, jurídico, reputacional e operacional.
Onde a Lumini pode gerar valor
Nesse novo ambiente, empresas não precisam apenas de fornecedores de tecnologia. Precisam de parceiros capazes de conectar infraestrutura, dados, segurança, governança e execução.
É exatamente nesse ponto que a Lumini IT Solutions entende que a tecnologia precisa operar: não apenas entregando modernização, mas criando bases seguras para crescimento, eficiência e conformidade. Em projetos de Dados & IA, Desenvolvimento e Infraestrutura/Cloud, a prioridade não deve ser somente implantar soluções mais rápidas, mas estruturar ambientes mais confiáveis, controlados e aderentes à realidade regulatória do negócio.
A maturidade digital das empresas, daqui para frente, será medida menos pelo volume de ferramentas adotadas e mais pela sua capacidade de usar tecnologia sem ampliar desnecessariamente sua exposição jurídica, operacional e reputacional.
Conclusão
O recado de 2026 é direto: tecnologia, dados e inteligência artificial continuam sendo motores de competitividade, mas já não podem ser tratados apenas como tema de inovação ou eficiência. Tornaram-se elementos centrais de governança corporativa e gestão de risco.
As organizações que compreenderem isso mais cedo estarão mais preparadas para crescer com segurança, responder melhor às exigências regulatórias e transformar a governança digital em vantagem competitiva real.